terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Primeiros dias de trabalho

O primeiro dia foi em uma escola para crianças com problemas de visão.
Algumas delas eram totalmente cegas, outras tinham 50%, 30% da visão comprometida.
Sempre muito interessadas em outros países, elas sentem-se queridas quando mostramos interesse pela cultura e língua russa.

Primeiro a apresentação e um pouco de choque cultural para as crianças e a importância de um pensamento flexível, com algumas brincadeiras. Depois, guerra de bola de neve.
Algumas crianças podem ser um pouco mais ousadas, como por exemplo, um menininho que colocou duas vezes uma bola de neve dentro do capuz do meu casaco. Melhor seria se em meio a tanto casaco eu conseguisse alcançar meu próprio capuz.
Tinham aquelas também que pulavam em cima de você ou te davam rasteiras para você cair no chão. E então você se agarrava na criança e iam as duas "ladeira" abaixo, rolando na neve.
Uma guerra de bolas de neve sem muita modéstia, com direito a fazer "montinho" em cima de trainee e bolas de neve maior que uma cabeça.

Um dos meninos, com 100% da visão comprometida, apresentou uma música que ele compôs, usando um instrumento russo. Disseram que ele toca vários instrumentos, é muito talentoso e começou a compor com 10 anos de idade, sendo que agora tem 19.

No segundo dia, um orfanato.
Lembram-se de Far Far Away, de Shrek? Pois bem, era onde ficava este orfanato.
Algumas crianças esquiavam, ou pelo menos tentavam, do lado de fora da casa. Todos deliravam com a idéia de como seria o Brasil e São Paulo.
No fim, pediram para anotar meu nome em um papel para adicionar no facebook.


Fora a língua, que alias a comunicação entre os host parents e eu acontece graças ao tradutor do google, alguns costumes russos são bem diferentes dos nossos.
Eles moram normalmente em apartamentos onde os quartos são as salas. Ou seja:
Você foi para a casa de um russo? Muito bem, vocês vão bater um papinho em um sofá no quarto.
E é nesse sofá onde eu tenho dormido nos últimos dias.
Não há televisões e muito menos um telefone fixo. A maioria das vezes a luz do quarto sala não fica acesa, e ficamos os três no escuro apenas com a luz dos notebooks e celulares. Afinal, quem sou eu para levantar do meu canto sala do cômodo, passar pelo canto quarto e acender a luz?

Com um frio desses um dia eu cheguei a pensar que a maioria das pessoas não fumavam. Doce engano, o cigarro vence até o frio. Todas as minhas roupas da welcome party ainda cheiram a cigarro. Lavar roupa? Só se for realmente necessário. Aqui, lavamos as roupas na banheira e deixamos secar em um varal do lado de fora. Com esse frio, sabe-se lá quando elas vão secar. Até lá já perdi metade dos meus membros do corpo.

Alguns banheiros também são diferentes, como o da universidade onde fica o escritório da AIESEC. São buracos no chão, sem descarga, como na China. A única coisa que chega a ser diferente é que os cantos dos buracos são altos e grossos, dificultando absurdos. Como faz se alguém desequilibrar e cair?

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